Demonstração sem custo

Facção e industrialização por encomenda na reforma tributária: o que muda pra quem manda costurar fora

Tecido seu, máquina da facção, peça pronta voltando pro seu estoque. Com CBS e IBS, o que importa é se essa operação gera crédito pra você ou vira custo puro. Veja o que muda no envio, no retorno e na nota da facção, com fonte oficial — e o que ainda depende de regulamentação.

Atualizado em 25/09/2026

Você manda o tecido, a facção devolve a peça costurada — e o imposto passa no meio

Industrialização por encomenda é o nome formal do que você já faz todo dia: envia tecido e aviamento cortados, a facção costura, e a peça volta pro seu estoque para você vender. O insumo é seu, a mão de obra é da facção. Com CBS e IBS, o que muda é como esse vaivém é tratado na nota e no crédito — e é aqui que mais confecção se perde, porque o Fisco olha a operação com lupa diferente da compra e venda comum.

O que precisa estar separado, hoje, na sua nota com a facção

  • O envio do tecido e do aviamento pra facção — não é venda, é remessa. Se essa nota mistura remessa com venda, o crédito de CBS e IBS fica confuso desde a origem.
  • O retorno da peça pronta, com o valor cobrado pela facção pelo serviço de costura — separado do valor do tecido, que já é seu.
  • O lote do tecido enviado e o lote da peça que volta — sem esse vínculo, você não sabe se recebeu de volta o que mandou, além do problema fiscal.
  • O regime tributário da própria facção: Simples Nacional padrão, Simples híbrido (optando pelo regime regular só para CBS e IBS) ou regime regular puro — cada um gera crédito diferente pra você.

O regime da sua facção decide se você ganha crédito ou fica com custo puro

A não cumulatividade plena da LC 214/2025 garante crédito amplo para quem compra de fornecedor do regime regular. Se a sua facção está no Simples Nacional padrão, a tendência é você não receber crédito pleno sobre o serviço de costura — o valor cobrado pela facção vira custo direto, sem abatimento no seu imposto de venda. Se a facção optar pelo regime regular (ou pelo Simples híbrido, apurando CBS e IBS fora do regime unificado), o serviço pode gerar crédito pra você. É uma conversa que vale ter com a sua facção e confirmar com o seu contador — a escolha de regime é dela, o efeito no seu crédito é seu.

Onde isso pesa no preço

Duas facções podem cobrar o mesmo valor pela mesma peça e ainda assim custarem diferente pra você, dependendo do regime de cada uma — o mesmo raciocínio do fornecedor de tecido, detalhado em Formação de preço com CBS e IBS. Vale colocar essa pergunta na mesa antes de fechar com uma facção nova: ela gera crédito, ou não?

O problema de sempre — saber o que voltou — não desaparece com a reforma

Reforma tributária nenhuma resolve sozinha o problema mais comum da terceirização: perder o rastro do que foi enviado, o que voltou, o que está atrasado e o que voltou com defeito. Isso é um problema de controle de produção, tratado em Controle e rastreio de facção. Ele fica mais grave com a reforma, porque agora a nota mal separada também compromete o crédito fiscal — não só o controle físico do lote.

Perguntas frequentes

Industrialização por encomenda e facção são a mesma coisa?

Facção é o nome popular, no chão de fábrica, para o que a lei chama de industrialização por encomenda: você fornece o insumo, um terceiro executa parte da produção (normalmente a costura) e devolve o produto pra você.

O envio de tecido pra facção é tributado como venda?

Não é venda — é remessa para industrialização, uma operação com tratamento próprio. O ponto de atenção é manter a nota de remessa separada da nota de retorno, com o valor do serviço da facção destacado do valor do insumo, que continua seu.

Minha facção do Simples Nacional vai deixar de me gerar crédito?

No Simples padrão, a tendência é reduzir ou eliminar o crédito pleno de CBS e IBS sobre o serviço prestado. Segundo a LC 214/2025, a facção pode optar por apurar esses dois impostos pelo regime regular (Simples híbrido) e manter o crédito — vale perguntar a ela e confirmar o efeito com o seu contador.

Preciso trocar de facção por causa da reforma?

Não é uma resposta automática. O regime tributário da facção é um dos fatores no custo real da terceirização, ao lado de prazo, qualidade e confiança — vale colocar na conta, não decidir só por ele.

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