Sua peça custa mais do que você pensa
A ficha de custo costuma somar só tecido e aviamento pelo preço de tabela. Fica de fora a perda do enfesto, a etiqueta, a mão de obra por minuto de costura, o serviço da facção e a fatia da despesa fixa que cada peça carrega. Veja o passo a passo completo, com um exemplo numérico ilustrativo de uma camiseta.
O preço fechou, o pedido saiu, e ninguém sabe se sobrou dinheiro
A ficha de custo da coleção mostra o preço do tecido e o preço do aviamento, os dois pela tabela do fornecedor. Some o resto ali dentro: a etiqueta e a embalagem não entram, o retalho que sobra do enfesto vira "perda normal" sem valor nenhum, e o minuto de costura de cada operação é uma estimativa que ninguém revisita desde a coleção passada. No fim do mês, o pedido "deu lucro" na planilha — mas essa conta nunca foi fechada de verdade.
O que costuma faltar na sua ficha de custo
- Perda de enfesto: o tecido que sobra entre uma peça e outra do risco, e que o corte não aproveita.
- Etiqueta e embalagem: etiqueta de composição, etiqueta de marca, saco plástico, cartela — quase sempre tratados como "despesa geral", nunca rateados por peça.
- Mão de obra por minuto real de costura, não por peça pronta a um valor fixo que nunca muda de coleção para coleção.
- Serviço de facção, quando parte da operação é terceirizada — o boleto pago à facção precisa entrar no custo da peça, não só na despesa do mês.
- Fatia da despesa fixa: aluguel, energia, salário administrativo — rateada por peça produzida, não ignorada porque "é despesa da empresa, não do produto".
O passo a passo do custo real de uma peça
Cinco contas, nesta ordem: consumo de tecido pela ficha técnica somado à perda do enfesto; aviamentos e etiqueta; mão de obra pelo tempo de cada operação de costura; serviço de facção quando existe; e a fatia de custo fixo que cada peça carrega. O exemplo abaixo é ilustrativo — os valores foram montados só para mostrar o método, não são preço de mercado nem de nenhum fornecedor real.
Exemplo ilustrativo: custo real de uma camiseta básica
| Item | Como se chega ao valor | Valor (R$) |
|---|---|---|
| 1. Tecido pelo consumo da ficha técnica | Ficha técnica pede 0,60 m de malha por peça, a R$ 18,00/m | 10,80 |
| 2. Perda de enfesto | 8% de perda média do risco sobre o consumo de tecido (0,60 m × 8% = 0,048 m, a R$ 18,00/m) | 0,86 |
| 3. Aviamentos e etiqueta | Linha, etiqueta de composição, etiqueta de marca e saco plástico, somados | 1,40 |
| 4. Mão de obra por minuto de costura | 6 minutos de operação (corte de linha, costura de ombro, overloque, barra, revisão), a R$ 0,55/minuto | 3,30 |
| 5. Facção (quando terceirizada) | Serviço de montagem cobrado por peça pela facção | 4,00 |
| 6. Custo fixo rateado | Aluguel, energia e salário administrativo do mês, divididos pelas peças produzidas no período | 2,10 |
| Custo real da peça | Soma dos seis itens acima | 22,46 |
R$ 22,46, não os R$ 18,00 da planilha antiga
Neste exemplo ilustrativo, uma ficha de custo que só soma tecido e aviamento chegaria a R$ 12,20 (item 1 + item 3) — e a decisão de preço partiria desse número. O custo real, com perda de enfesto, mão de obra por minuto, facção e rateio de custo fixo, é R$ 22,46: quase o dobro. Se o preço de venda foi calculado sobre o número errado, a margem que parecia boa no pedido pode estar encolhendo — ou sumindo — sem que ninguém tenha decidido isso.
Por que esses itens somem da conta
Perda de enfesto some porque ninguém mede o retalho por risco — vira "normal" sem virar número. Etiqueta e embalagem somem porque caem na despesa geral do mês, não na ficha técnica do produto. Mão de obra some porque o valor por peça é herdado de coleção em coleção, sem revisar o tempo real de cada operação com apontamento de produção. E custo fixo some porque parece abstrato demais para ratear peça a peça — mas ele existe, e alguém paga essa conta no fim do mês, produto ou não produto.
Como o ERP Sisplan fecha essa conta sem planilha paralela
O ERP Sisplan usa a estrutura de custo da própria ficha técnica — tecido pelo consumo, aviamento, tempo de cada operação — somada aos apontamentos reais da produção e ao serviço pago a facção, para calcular o custo da peça peça a peça, não em uma média por coleção. Quando o custo fixo do período é rateado dentro do mesmo cálculo, o preço de venda nasce do custo completo, não de uma estimativa que só olha matéria-prima. A conversa consultiva começa pela peça que você desconfia que não fecha a conta; a demonstração detalhada não tem custo.
Perguntas frequentes
A perda de enfesto é sempre a mesma porcentagem para qualquer tecido?
Não. Varia com a largura do rolo, o encaixe do risco e o tipo de malha ou tecido plano — por isso precisa ser medida na própria fábrica, não copiada de outra confecção ou de um manual genérico.
Dá para calcular o custo real sem apontamento de produção?
Fica difícil ter o número certo. Sem apontar o tempo real de cada operação de costura, o valor de mão de obra continua sendo uma estimativa herdada de coleção em coleção, não o custo do que a fábrica de fato gasta hoje.
Como ratear o custo fixo por peça sem complicar demais a planilha?
O caminho mais simples é dividir a despesa fixa do período (aluguel, energia, parte do administrativo) pela quantidade de peças produzidas no mesmo período — o ERP Sisplan faz esse rateio dentro do próprio cálculo de custo, sem depender de planilha à parte.
Esse cálculo muda quando parte da produção é terceirizada na facção?
Muda: o valor pago à facção entra como um item de custo da peça, não só como despesa do mês. Ver como o Sisplan liga ficha técnica, grade e consumo em Ficha técnica, grade e consumo.
Como saber se o custo real está entre os problemas mais urgentes da minha operação?
Um diagnóstico rápido cruza esta dor com as demais mais citadas por indústrias da confecção e mostra onde vale focar primeiro, sem pedir CNPJ nem contato para ver o resultado — Diagnóstico.
